Introdução
A
região Oeste da Bahia engloba municípios, com uma área de 162 mil km2,
situados ao lado oeste do rio São Francisco, dos quais hectares se
encontram aptos ao uso pela agricultura. Em geral, o uso do solo pode
ser dividido em duas categorias: região dos “Vales”, caracterizados
por solos mais argilosos e de relevo levemente ondulado, e a região
dos “Gerais”, com relevo plano e solos mais arenosos. A região dos “Vales”
tem a ocupação mais com pecuária e agricultura de base familiar, enquanto
que os “Gerais” se mostraram aptos à agricultura empresarial, com fazendas
modernas que usam as mais novas tecnologias para produzir soja, milho,
algodão, feijão, sorgo, café, frutas como mamão e limão, semente de
capim, milho pipoca.
O
setor agrícola da região encontra-se bastante organizado, com entidades
de classe (AIBA, Sindicato Rural, ABAPA, Fundeagro), de pesquisa (Fundação
Bahia) e de ensino, com curso de agronomia e cursos profissionalizantes.
A transferência de tecnologia acontece principalmente através das assessorias
agronômicas, fontes das ultimas inovações para o campo (Circulo Verde,
Plasteca, Sanderson Assessoria, e outros).

Clima
Com
estações bem definidas entre período de chuvas e de seca, a região tem
as características de clima de cerrado, com chuvas iniciando no mês
de outubro e terminando no mês de abril, possibilitando a programação
dos cultivos em meses apropriados. Especialmente favorável à cultura
de algodão, a região produz fibras de ótima qualidade, graças à ausência
de chuvas em época de colheita. O Oeste Baiano conta com disponibilidade
de água para irrigação, temperaturas médias mensais variando de 19 a
24 Cº, sem riscos de geadas, luminosidade constante durante o ano, chegando
a 3.000 h/ano e precipitações anuais na média de 1.500 mm. Os solos
têm boa profundidade, relevo plano e altitude média de 800 m, enquanto
que a região dos “Vales” tem uma altitude de 500-600 metros acima do
nível do mar.
Principais
culturas e atividade pecuária.
A produção da região
tinha um baixo nível econômico e pouca tecnologia, limitado a pecuária
intensiva, produção de feijão, milho e mandioca, enquanto que a produção
industrial se limitava à extração de óleo de mamona e pequenas caieiras
e olarias. Com a ocupação dos cerrados na década de 70 e 80, o desenvolvimento
se acelerou, e o agronegocio atualmente gera empregos, renda, impostos
e está na base da riqueza de toda uma região. O quadro 01 mostra um
perfil da produção para o Oeste Baiano.
Quadro
01 – Estimativa de produção, produtividade e VBP (Valor Bruto da Produção)
para a região oeste da Bahia, Março 2006.
| Cultura |
Área
(há) |
Produção
(ton.) |
Produtividade
(kg/há) |
VBP
(Milhões
R$) |
| Soja |
870.000 |
1.983.600 |
2.280 |
793,44 |
| Algodão |
208.434 |
781.628 |
3750 |
889,60 |
| Milho |
126.000 |
506.520 |
4.020 |
118,19 |
| Capim |
23.800 |
10.710 |
450 |
35,34 |
| Arroz |
10.000 |
18.000 |
1.800 |
4,80 |
| Café |
13.689 |
41.055 |
3.000 |
239,49 |
| Sorgo |
5.000 |
12.000 |
2.400 |
2,20 |
| Feijão |
3.000 |
5.400 |
1.800 |
5,40 |
| Pecuária |
220.000 |
2.150.000
* |
- |
290,00 |
| Total |
|
|
|
|
Fonte:
AIBA *Numero de cabeças bovinos caprinos ovinos
Os
custos de produção estão resumidos no quadro 02, mostrando a precária
situação financeira em que não só os produtores do Oeste de Bahia se
encontram, mas todo setor produtivo agrícola do Brasil.
Quadro
02 – Custos de produção das principais culturas da região Oeste da Bahia,
Safra 2005-06
| Cultura |
R$
por hectare |
US$
por hectare |
| Soja |
|
350,00 |
| Milho |
|
500,00 |
| Algodão |
|
1100,00 |
| Café |
8.716,75 |
|
| |
|
|
Soja
Introduzida
na região a partir da década de 80, a cultura da soja foi o principal
propulsor do desbravamento dos “Gerais”, iniciando um novo ciclo de
desenvolvimento. Hoje toda cadeia se encontra muito bem estruturado,
com a presença de empresas de insumos, maquinas e implementos agrícolas,
unidades de recepção e processamento do produto, atendendo todo mercado
do Nordeste Brasileiro e a exportação. Carro chefe da produção agrícola,
envolve a maioria das fazendas da região, e responde por quase 60 %
da área de plantio e um valor da produção de R$ 793 milhões.

Fonte: AIBA
Milho
A
cultura do milho tradicionalmente era cultivada nas propriedades da
região do “Vale”, com pouca tecnologia. O uso de sementes melhoradas
e tecnologia de produção avançada permitem altas produtividades, fazendo
do milho uma opção tecnicamente viável para a rotação de culturas. Com
um mercado consumidor próximo, que é o Nordeste, a região tem uma localização
estratégica para o abastecimento do produto para consumo humano. Com
a vinda de uma integração para a produção de frangos, a produção deverá
agregar mais valor na forma de produção de carne. O principal entrave
para um incremento da produção é a comercialização, com um mercado que
oscila de ano a ano, com as importações vindos da Argentina. Em áreas
irrigadas a produção pode ser programado para a entressafra, alcançando
uma remuneração melhor para o produtor. Com uma área plantada de 126
mil hectares, a atividade gera R$ 118 milhões em valor de produção.
Algodão
Relativamente
nova na região, o cultivo do algodoeiro teve um inicio tímido no final
da década de 90, mas logo os produtores perceberam que o clima da região
se mostrava muito favorável à produção de algodão, com fibras de excelente
qualidade, graças à ausência de chuvas na época da colheita e menos
poeira contaminando a colheita.
A
cadeia produtiva está bem estruturada, com unidades suficientes para
beneficiar toda produção, e tecnologia de produção bastante avançada,
permitindo produtividades excelentes. Novos caminhos são trilhados com
a exportação, permitindo ao produtor acesso direto ao mercado mundial,
na qual o algodão baiano se coloca entre as de melhor qualidade. Com
isso o valor da safra de algodão está sendo estimado em R$ 889 milhões,
maior que o valor da safra de soja, com área plantada 4 vezes menor,
o que mostra o alto valor agregado da cultura.
Café
De
inicio muito timidamente, pois não havia nenhum histórico de produção
de café na região, o cultivo de café se iniciou no inicio da década
de 90, com o plantio de lavouras sob irrigação por pivô central. Gradativamente
sendo ampliada, hoje consta com aproximadamente 14 mil hectares, todo
irrigado, com um valor da safra estimada em R$ 239 milhões. Bastante
especializada, a cultura demanda muita mão de obra, contribuindo assim
para o aumento de oportunidades de trabalho.
As
condições de clima permitem ótimas produtividades, em torno de 50 sacas
por hectare, com possibilidade da obtenção de cafés de qualidade.
Outras
potencialidades
No
Brasil, em se plantando tudo dá, este ditado se aplica especialmente
à região Oeste da Bahia, livre de geadas, com estações do ano bem definidos
e água para irrigação em abundancia. Assim, diversos empreendimentos
de porte produzem mamão, limão, melancia, abóbora, banana, manga, goiaba
e outros com bons resultados técnicos, com parte exportada para Portugal,
França e Holanda. Produção de semente de capim, em especial semente
de brachiaria, tem se mostrado lucrativo. A ILP – Integração Lavoura
Pecuária, iniciando na região, contempla sistemas de produção integrados,
possibilitando a produção de carne e grãos na mesma fazenda, alternando
pastagem com lavouras. Com a maior eficiência no uso da terra e produção
intensiva, áreas antes consideradas degradadas podem voltar a produzir,
diminuindo assim a pressão sobre o bioma cerrado por mais terra. Mesmo
assim, o potencial agrícola da região pode ampliar e ultrapassar os
3 milhões de hectares.
Logística
Pela
localização geográfica a região é um entroncamento entre as regiões
sul e centro oeste com o norte e nordeste. O escoamento da safra pode
ocorrer pelos portos de Salvador, Aratu e Ilhéus. Transporte transmodal
é utilizado com embarque no terminal de Bom Jesus da Lapa. Grande parte
do transporte, porém, ainda é rodoviário. Do complexo soja, o óleo é
escoado para o nordeste brasileiro, farelo e grãos seguem para o porto
de Ilhéus. A produção de milho se destina em quase sua totalidade ao
nordeste brasileiro, enquanto que a safra de algodão segue para o nordeste,
centro-sul e sul do Brasil, e é exportado para a Europa e Austrália.
Café também é exportado para a Europa e colocado na região centro oeste
brasileiro.
Histórico
da irrigação
Com
tecnologia de ponta, a agricultura encontra nos sistemas irrigados seu
grande trunfo, sendo a região servida de rios e mananciais próximos,
permitindo o uso da água de maneira eficiente e econômica. Em 1985 irrigava
se 17.554 hectares, aumentando para 109.883 hectares atualmente, ou
15 %. Principalmente café e algodão contribuíram para este aumento,
mas também as áreas de fruticultura irrigada contribuíram.
Resultados
Não basta apenas produzir. É preciso respeitar o meio ambiente, colaboradores
e todos os agentes que fazem o sucesso desta região. É com este lema
em mente que a maioria dos produtores do Oeste Baiano organiza suas
atividades, e os resultados são evidentes.
Resultados
sociais
A região emprega diretamente na produção agrícola mais de 70 mil pessoas,
muitas residentes nas próprias fazendas. Os trabalhadores dispõem, na
maioria dos empreendimentos, meios de transporte, residências em condições
dignas, escolas e atendimento médico, dentre outros benefícios. A inclusão
social também se dá no campo, e mesmo com a sazonalidade da atividade,
ação dos “gatos”, entre outros, as contratações tem quintuplicado.
Resultados ambientais
Na esfera ambiental, os projetos implantados seguem rigorosamente a
legislação vigente, respeitando as reservas florestais e o correto destino
de embalagens de defensivos, dentre outros procedimentos. Todos os projetos
de irrigação são devidamente outorgados pelos órgãos competentes. Na
maior parte das propriedades, as áreas de produção estão situadas no
meio do cerrado, envoltas pela mata nativa. Mais do que o mero cumprimento
de obrigações legais, os produtores do cerrado da Bahia sabem que o
respeito ao meio ambiente e aos colaboradores, juntamente com constantes
pesquisas visando inovações tecnológicas, são premissas fundamentais
para a sustentabilidade do agronegócio na região. Este modelo ímpar
de produção permite ao Oeste da Bahia figurar na lista das principais
áreas de produção, pois alia qualidade, produtividade e sustentabilidade.
A central de coleta de embalagens de agrotóxicos (Central Campo Limpo)
tem os índices de devolução mais altos do Brasil, fazendo com que o
meio ambiente fique mais limpo. A cooperação com órgãos governamentais
de licenciamento ambiental tem sua atenção voltado para a preservação
de corredores para a fauna e preservação de matas.
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